Seria uma injustiça se este colunista não reconhecesse o quanto é comum ver um Poder Legislativo no País ser um tanto “complacente” com o Poder Executivo. É bem verdade que, muitas vezes, o Congresso Nacional costuma ter “vontade própria” e faz valer o princípio da separação dos poderes, impondo sua autonomia e independência que, muitas vezes, se confunde com “barganha”, como uma forma de pressionar o “presidente da República de plantão”!
Essa “força” de deputados federais e senadores, muitas vezes, confunde a todos nós brasileiros que, vez ou outra, pensamos não viver em um governo presidencialista, e sim parlamentarista. Apoiado por alguns e criticado por vários, o Congresso – justiça seja feita – se impõe e faz valer sua legitimidade no voto. O presidente, seja ele quem for, costumeiramente anda em sintonia com o parlamento. Jair Bolsonaro (PSL) tentou se “desgarrar” dessa tradição, mas não conseguiu.
Em 2020 nós teremos uma nova eleição municipal e, com a mudança na legislação, não teremos mais as coligações para a disputa pelas vagas de vereador. Em síntese, vão ganhar aqueles nomes que têm mais votos! Será uma boa oportunidade para o eleitorado avaliar melhor os nomes que irão representar a coletividade por quatro anos. No pleito de 2016, com a CMA em meio a uma “turbulência”, a renovação no parlamento chegou aos 50%. Mas a cidade continua precisando de bons vereadores.
A chegada de novos nomes na Câmara animou a população no sentido de uma melhor representação. Respeitando algumas valorosas exceções, de parlamentares que de fato trabalham em defesa da coletividade, temos em Aracaju uma Câmara que se moldou a dizer “amém” a todas as vontades do prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB). Assuntos pertinentes, que interessam a cidade, como a revisão do Plano Diretor, por exemplo, só vieram à tona após as recentes enchentes, onde ficou evidente que “vergonhosamente” alguns pontos da cidade estavam esquecidos pela administração.
FaxAju: Habacuque Villacorte
Assuntos graves não tiveram o devido envolvimento da Casa como a revogação do aumento do IPTU, a licitação do transporte coletivo, a privatização da UPA Nestor Piva, os excessivos contratos emergenciais, a polêmica em torno da coleta do lixo que virou “caso de Polícia”, o interesse político em torno das feiras livres…tanta coisa acontece na cidade e apenas um ou outro vereador levanta a voz. A cidade segue com baixa mobilidade, completamente esburacada e distante da sonhada “qualidade de vida”. Calmaria só em dias ensolarados. Se chover…
Mas diante de tantos problemas, não é exagero dizer que a CMA é omissa! A população nem sabe direito quem são os secretários de determinadas áreas, os vereadores não cobram, parecem não fiscalizar. Comenta-se, inclusive, que a Câmara é composta por apenas 23 vereadores, já que um deles não estaria em condições de representação. No meio político a informação é que o mesmo só vota e assina. Nada mais! E assim vai seguindo o parlamento da capital. 2020 é ano de eleição, que rima com “transformação” e com ampla “renovação”. A decisão será do povo…