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Saúde
MUNDO VÊ QUEDA DE 14% EM CASOS DE COVID-19; BRASIL VAI NO SENTIDO CONTRÁRIO
26/05/2021 às 08:16 por Jailton Santana

Pela primeira vez em dois meses, a taxa de contágio (Rt) do novo coronavírus ultrapassou o teto em todo o Brasil, segundo dados da Info Tracker, organizada pelas universidades estaduais Unesp e USP e que monitora a pandemia. Os pesquisadores consideram como teto o índice 1, quando cada pessoa pode contaminar uma outra. Se for maior do que 1, cada doente poderá contaminar mais de uma pessoa.

Para que a transmissão do novo coronavírus seja contida e caia o risco de uma terceira onda de infecção, a taxa de Rt precisa ficar abaixo desse patamar. Esse índice, porém, acaba de ser ultrapassado nas cinco regiões do Brasil

A marca, segundo a Info Tracker, foi rompida ontem (25). Com taxa média nacional de 1,12, os índices ficaram assim em cada região do Brasil:

  • Sul: 1,12
  • Nordeste: 1,12
  • Norte: 1,06
  • Centro-Oeste: 1,02
  • Sudeste: 1,01

Coordenador da Info Tracker e professor da Unesp, Wallace Casaca explica a metodologia. Ele diz que, "como cada região tem diferentes números de habitantes e curvas epidemiológicas, a média simples [somar e dividir por cinco o índice das regiões] não funciona" para encontrar o Rt nacional

"O que o algoritmo faz é calcular todos os casos ativos, óbitos e recuperados de todos os estados para chegar ao índice brasileiro", diz. Em 2021, já na segunda onda, o Rt de todas as regiões do país ficou abaixo de 1 pela última vez em 14 de fevereiro. A partir de então, a taxa foi aumentando até que em 7 de março todas as regiões atingiram 1. A média nacional continuou crescendo, até chegar a 1,22 em 29 de março, quando voltou a diminuir, e todas as regiões ficaram novamente abaixo do teto no dia 21 de abril. 

As taxas voltaram a subir três dias depois. Ontem todas as regiões estavam com Rt acima de 1 pela primeira vez após 57 dias.Por que Rt acima de 1 preocupa? Casaca diz que Rt abaixo de 1 "significa que a pandemia está sob controle". Em uma cidade com 100 pessoas infectadas e taxa em 0,78, por exemplo, haverá 78 novas contaminações. Esses 78 infectados vão contaminar outras 61 pessoas, reduzindo o número de doentes aos poucos se o índice se mantiver. O problema é quando a taxa está acima de 1, como agora. Ao multiplicar o Rt atual, de 1,12, por 100 doentes, essas pessoas podem contaminar outras 112 pessoas, que por sua vez devem infectar ao menos 125.

Temos um sistema de saúde que tomou dois tsunamis na testa, mal sobreviveu, e está em uma situação em que, se vier um terceiro [tsunami], nós não temos medicamentos, não temos leitos, não temos equipes de UTI. Não temos condição de dar conta de uma terceira explosão. E não temos vacina

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